quinta-feira, 10 de abril de 2008

Carros à Hidrogênio


Há algum tempo, a menção do termo células de combustível evocava a idéia de algo futurístico, distante de chegar às nossas garagens. "Há cinco ou seis anos, as montadoras previam que os carros movidos a hidrogênio chegariam às ruas por volta de 2010. Na época achávamos a previsão otimista demais, quase impossível de ser cumprida", diz o pesquisador Paulo Ferreira, do Laboratório de Hidrogênio da Unicamp. Entretanto, a indústria automobilística tem demonstrado fôlego para atingir a meta no tempo previsto. O pesquisador afirma que, curiosamente, tem notado a presença cada vez mais escassa de fábricas de automóveis em eventos científicos voltados para a pesquisa de células de combustível. "O fato indica que essa é uma tecnologia que as montadoras já dominam", diz.

Nos Estados Unidos, Honda e GM já têm mais de 100 carros a hidrogênio em teste nas ruas. A última novidade foi o conceito Cadillac Provoq, um crossover apresentado na feira de eletrônicos CES, em Las Vegas, e no Salão de Detroit. O Provoq leva o mesmo sistema E-Flex do Chevrolet Volt, mas combina motores elétricos e células de hidrogênio, no lugar do motor a gasolina do Volt. A autonomia é de 483 quilômetros, 32 deles apenas por eletricidade.


O grande entrave à produção em massa dos veículos movidos a hidrogênio parece mesmo ser o preço. "Os problemas técnicos parecem ter sido solucionados. Hoje é uma questão de preço, que cairá com a produção em escala e o amadurecimento de uma gama de fornecedores", diz Ferreira. A escala também é o que impede o problema da autonomia, já que até mesmo nos Estados Unidos a rede de postos de abastecimento de hidrogênio é pequena, quase toda concentrada na Califórnia. "Hoje não há mais postos porque existem poucos carros. E existem poucos carros devido à falta de postos. Mas é uma questão de tempo para equacionar esse dilema", diz Ferreira.

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